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Os sonhos ajudam a resolver problemas?

O universo dos sonhos é objeto de estudos e gera curiosidade desde os primórdios da humanidade. Pesquisadores afirmam que todas as pessoas sonham, e que – apesar de uns lembrarem mais do que outros –, sonhamos até dez situações diferentes a cada noite. Além da origem, a função dos sonhos também levanta questionamentos: qual é a sua finalidade? Podemos utilizá-los para resolver problemas do dia a dia? Vamos descobrir!

O que diz Freud?

Para o neurologista e criador da psicanálise, Sigmund Freud, que estudou com dedicação os relatos de diversos pacientes, a função dos sonhos seria a de realizar os nossos desejos, que muitas vezes são reprimidos, mas que são liberados pelo inconsciente durante o sono. Além disso, a repetição de cenas vividas durante o sonho serviria para que nossos medos e traumas fossem manifestando assim o desejo de que determinadas situações não ocorram, ou que sejam mais fáceis de serem superadas do que supomos.

Consolidar o aprendizado

Digamos que você esteja aprendendo a dirigir. Durante a noite, é natural que você sonhe que está no trânsito, desempenhando as funções de troca de marcha ou o controle da direção, por exemplo. De acordo com essa perspectiva, podemos afirmar que uma das funções do sonho é nos ajudar a consolidar aquilo que estamos aprendendo através da repetição mental de atividades que foram praticadas. Esse tipo de sonho ajuda a resolver problemas porque é como se fosse um filme repetido diversas vezes, até que cada detalhe de seu enredo seja apreendido.

Resolver problemas

Um dos mais famosos neurocientistas do mundo, o americano Robert Stickgold, realizou uma experiência que teve um resultado curioso. Cerca de cem voluntários foram desafiados a sair de um labirinto virtual, tentando desvendar seus caminhos e atalhos durante algum tempo. Depois, foi feita uma pausa de cinco horas, em que metade dos voluntários dormiu, e a outra metade permaneceu desperta.

E o resultado? O grupo que dormiu teve mais facilidade para encontrar a saída do labirinto, e os que tiveram os desempenhos mais rápidos foram justamente os que relataram ter sonhado com o jogo. Para os colegas de Stickgold, a conclusão é de que o cérebro repassa as informações mais importantes – ainda que muitas vezes de forma desconexa – e isso faz com que consigamos entender como resolver problemas enquanto dormimos, mesmo sem perceber.

Passe no vestibular sonhando!

Um outro estudo, realizado no Instituto do Cérebro no Brasil, revelou que os estudantes que relataram ter sonhado com as provas do vestibular obtiveram notas 30% superiores às dos seus concorrentes. Quem sonhou com os conteúdos que poderiam cair na prova se saiu melhor, como se o cérebro tivesse feito sua própria revisão, elencando dados mais importantes durante o período de descanso do corpo. Entretanto, o estudo ainda não encontrou uma explicação concreta sobre o que motivou alguns alunos a terem sonhado com as provas, e outros não. Esta será outra questão relacionada aos sonhos para os cientistas investigarem.

O segredo está na fase REM

Cientistas da Universidade de San Diego também desenvolveram um estudo interessante sobre o assunto. Dezenas de voluntários foram convidados a pensar até o final do dia em formas de solucionar um determinado problema. Depois, todos os envolvidos tiveram seus sonos monitorados. A grande descoberta do estudo foi que, aqueles que chegaram até a fase REM do sono – Rapid Eye Movement, em português "movimento rápido dos olhos", foram os que tiveram mais sucesso em resolver suas questões no dia seguinte.

A fase REM é a última das cinco etapas do sono, e também a mais intensa em termos de atividade cerebral. Nesta fase, os sonhos são mais vívidos, e a atividade na área do cérebro ligado ao desenvolvimento da criatividade é extremamente ativa. Pelo resultado obtido, os pesquisadores concluíram que as pessoas que dormem mais tempo, e por isso passam mais tempo na fase REM, tendem a ter sua criatividade mais aguçada no dia seguinte.

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