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A mecânica do sonho: os sonhos ainda são um mistério?

Os sonhos continuam a ser um mistério para quase todos os comuns mortais – sendo tema habitual tanto entre amigos como em milhares de livros dedicados ao assunto. Foi no longínquo ano de 1900 que Sigmund Freud conferiu um carácter científico ao tema, ao publicar a obra “A Interpretação dos Sonhos” – em que refere a vertente simbólica do que sonhamos, associada a desejos que podemos ter contidos e se manifestam nos sonhos. Mais tarde, o psiquiatra Carl Gustav Jung veio defender que os sonhos não são apenas manifestações de desejos ocultos, mas sim uma forma de a nossa vertente psicológica encontrar um equilíbrio por parte da compensação.

Como se define um sonho?

A psicologia define os sonhos como cargas emocionais que armazenamos no nosso inconsciente, fazendo-nos projetar imagens e sons, sendo basicamente uma fotografia do nosso inconsciente momentâneo. É por isso que, em muitas terapias psicológicas e psiquiátricas, a interpretação dos sonhos – e dos símbolos ali representados – ganham especial interesse e destaque. Parece então que os sonhos são o meio pelo qual o inconsciente nos procura alertar para o que não entendemos ou não aceitamos, oferecendo avisos e alternativas.

Os sonhos são uma defesa cerebral

Mas, se pensa que os sonhos, sobretudo os mais complexos, são uma realidade essencialmente reservada ao universo dos adultos, engana-se. Descobriu-se recentemente que até os bebés no útero sonham, registando-se atividade REM (movimento rápido dos olhos), apesar de ainda ser uma incógnita aquilo com que eles efetivamente sonham.

Está também provado que as crianças com ritmos de aprendizagem intensos apresentam uma atividade REM mais elevada que os próprios adultos. Os sonhos tornam-se, assim, essenciais para que o nosso cérebro processe as informações diárias e liberte eventuais angústias ou dúvidas que tenham ficado, consciente ou inconscientemente, arquivadas – tornando-se uma chave preciosa para o nosso bem-estar. Um estudo publicado recentemente na revista da Associação Americana de Psicologia refere que, por exemplo, os pesadelos têm precisamente a tarefa de aliviar o cérebro de emoções negativas acumuladas – só devendo ser encarados como efetivamente negativos depois de a pessoa encontrar dificuldades em, depois de acordar, fazer as suas atividades normais.

Todos sonhamos todos os dias – mesmo que não nos lembremos!

Há quem acredite que sonhar é uma atividade passiva mas, pelo contrário, os sonhos são um mecanismo ativo de atividade cerebral que se divide em cinco estágios. Curiosamente, só sonhamos ao entrar no quinto ciclo de sono. Nos primeiros quatro ciclos, a atividade cerebral está mais lenta, permitindo-nos desligar do mundo externo. Quando atingimos o nível da denominada onda delta, entramos então na fase de sono profundo. Curiosamente, e mesmo nesta fase, a audição é o nosso único sentido consciente que não é desligado – daí inserirmos muitas vezes nos nossos sonhos, sons e ruídos do que se está a passar à nossa volta, enquanto dormimos.

Há pessoas que afirmam nunca sonhar. Existem, de facto, patologias em que os sonhos estão aparentemente inibidos, mas o que acontece na maior parte das vezes é que a atividade cerebral durante o sono é quase sempre esquecida. Como se se tratasse de uma verdadeira amnésia! Sonhos com alta carga emocional são obviamente mais recordados, tal como nos lembramos mais facilmente de sonhos que tivemos pouco tempo antes de acordar. Como se pode perceber, não se trata de não sonhar – mas antes de não retermos os sonhos que tivemos.

Quer dormir melhor? Cumpra as rotinas!

É curioso perceber ainda que os nossos hábitos de descanso e de sono condicionam os nossos sonhos, bem como a qualidade dos nossos dias. Pessoas que alteram frequentemente os seus hábitos e padrões de descanso acabam por sofrer um desequilíbrio progressivo, obrigando o cérebro a uma adaptação aos novos horários. Isto poderá implicar um sono mais agitado, sonhos mais complexos e, consequentemente, uma maior irritabilidade e falta de concentração durante o dia.

Por isso, já sabe: aproveite para dormir as horas certas e para garantir o máximo de descanso. E quando tiver sonhos agitados ou pesadelos, não se esqueça de que se tratou simplesmente de uma defesa do seu cérebro que implica a “limpeza” das amarguras do dia-a-dia!

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